A Proposta, conto escrito por Suélen Camargo

27 fev

Bem gente… vim trazer a vocês este ótimo conto escrito por Suélen Camargo, uma escritora muito talentosa!

Mais contos e projetos de Suélen Camargo podem ser encontrados em seu blog SoweluS, que é o seu pseudonimo!

Abaixo o conto:

Sob a chuva, contemplei uma criatura divina perante meus olhos, indagando-me sobre o destino que sempre almejei. Este impôs alguns segundos para uma resposta inexorável que decidiria o rumo de minha vida.

– Vinte segundos – disse o deus, impetuoso.
Fechei os olhos.
Estava no centro de um universo infinito de mágoas, testemunhei os horrores da guerra, cresci conforme aprendi o que realmente é a dor. Cresci tanto que de uma pessoa passaria a ser um deus se me coubesse a decisão de aceitar a proposta.
– Dezenove segundos.
Antes disso, compreendia que a sociedade humana nada mais é do que ignorante. Sempre me diferenciei, nunca infligi as “leis”, e no jogo da vida nada melhor do que saber as regras vigentes para se jogar. Fui ingênuo, imaginando que minha perfeição podia exaurir com as desigualdades entre as pessoas. Estava errado.
– Dezoito!
Nasci Humano, mas sinto que nunca fui um! Meus ideais se chocam com os de outrém. Durante minha vida, empenhei-me a evitar brigas promovendo paz, repassando valores. Porém nada aconteceu.
– Dezessete!
Concluí que paz nunca existirá.
O amor está no destino da dor e em consequência a dor leva ao ódio, e o ódio simplesmente leva a guerra.
O deus das tempestades. Incumbiu-me de transformar-me em um deus, se eu acabasse com a raça humana em experimento ao seu poder. Extinguindo essa mutua ignorância para sempre!
Respondi que não.
– Dezesseis!
Recusei sua proposta sabendo que era a única chance de afastar-me desta obtusidade mundana. Mas se o fizesse, fugiria da realidade e seria igual a todos estes humanos malfadados. Não posso fugir! Então o que fazer?
Fora neste momento que o deus impusera vinte segundos para decidir-me entre a extinção, paz e o poder, ou a vida preciosa de humanos inúteis.
– Quinze!
Por que estou hesitando?
Carrego a perfeição e um fardo de indiferença que ostensivamente ninguém percebe, porém, em troca tudo sinto.
– Quatorze!
Lágrimas escorreram de meus olhos, a dor corroía-me internamente. A chuva presente no local me instigou uma lástima que me suprira feito taça sob queda d’água.
Submetido a uma decisão contrária a meus princípios que um deus malévolo impôs.
O que fazer?!
– Treze!
Dos céus, desceram raios. Lamentei-me trucidando minha mente com a questão. Tarefa que não desejava.
Malditos sejam os Humanos!
– Doze!
Fiz tudo pelo bem de outrém, mas o resultado gerou angústia.
Ajoelhei-me frente ao desespero, seria eu o responsável pela última batalha entre o Bem e o Mal? Escolhido pelo deus das Tempestades para ser o deus da extinção?
– Onze!
Ambição Planeta Terra Versus o incumbido do julgamento Final.
Tenho de ser cauteloso. Se não conseguir mudar o rumo do mundo, vou ter que acabar com ele de uma vez por todas.
– Dez!
Com a guerra, aprendi que a sociedade é composta pela superficialidade, mercenarismo e supremacia a outrém. Com a dor compreendi o verdadeiro sentido do mundo.
– Nove!
Humanos são fracos, no entanto, o planeta terra foi dominado por eles, e um dia irá sucumbir pela ambição dessa dominação. Humano se considera o ser mais inteligente por já Ter posto suas mãos sujas na genética. Por já ter pisado com suas bactérias em um planeta alheio, por criar bombas que podem acabar com uma nação em milésimos de segundos.
– Oito!
Não creio nessa inteligência, pois vejo em minha frente um ser superior, que precisa de alguém com a minha sabedoria para extinguir esta sociedade. Se há coisas assim, com certeza um Humano sabe o mínimo do topo do Iceberg da verdade, pois a ignorância será sempre a barreira do qual os impedirá.
– Sete!
Quero viver a paz, criar a paz. Viver em um mundo de esplendor, longe dos seres mais cruéis do mundo. Não irei fazer parte desta tropa.
– Seis!
Humanos nunca serão capazes de se compreender completamente! Mesmo que entendas a dor de outrem, não significa que chagarás a um consenso.
Acabar com tudo de imediato será a solução?!
– Cinco!
Acho que não. Se fizer, serei igual a eles, acabar com vidas inocentes em prol de um objetivo pessoal. Isso é o que está acontecendo na grei. Todos fazem o que bem entendem com seus princípios e não relevam seus atos diante dos outros.
– Quatro!
Recuso-me a sujar minhas mãos com a mesma arma usada por eles. Não quero vingança. Sequer desejo tocar em uma arma!
– TRÊS!
Não vejo futuro nessa sociedade, mas ainda há uma esperança. As crianças tem o poder de superar seus pais.
– DOIS!
A geração passada por mais consciente que fosse, foi superada pela atual. Quem sabe a próxima geração seja ainda mais sábia e faça deste mundo um lugar melhor.
– UM!
– Aceito a proposta!
O deus das tempestades fitou-me com fulgor em seus olhos. Percebi as suspeitas estavam certas. Suas mãos espectrais tocaram minha cabeça, em questão de um segundo via-me nos céus celestes prestes a usar o poder divino da destruição sobre o mundo.
Tinha a vida dos Humanos medíocres em minhas mãos.
Tão pequenino estava o mundo agora. Sob meu incrível domínio.
O deus das tempestades havia cedido seus poderes, mas só me tornaria um deus de verdade se acabasse com aquele pequeno planeta azul.
Na visão daquele deus cruel, aquele pequenino mundo era absolutamente nada. Mas para mim, aquilo era a razão do universo. Sendo um deus, poderia gerar um novo mundo quem sabe! e nele implantar meus ideais. Meus objetivos seriam leis no novo mundo. Seria o criador de um mundo de esplendor.
Mas não sou nenhum egoísta, meu ego não é motivo para destruir vidas.
Vidas são vidas. Criação ou não de um ser extremamente superior a este que contemplo em minha frente no momento.
O deus das tempestades pelo que percebi não passa de um ser maligno com sede de destruição. Não serei obtuso com fome de poder.
Sou o único que entende por completo o verdadeiro valor de um ser, mas não sou o único que luta por paz, por entendimento entre os seres, pelo fim da dominação.
Porém, se sou o único que compreende, logo, sou o único que pode atender ao pedido dos deuses. Não serei o deus da extinção. Serei o deus da paz. Basta aqueles que virão o meu poder agora, refletirem sobre meus desejos. Não cabe a mim julgar os atos do mundo. Sou capaz de fazer meu próprio destino sem subjugar-me ao desejo de um deus como este.
Coloco minhas mãos em meu coração e o dirijo o a luz divina contra mim mesmo.
– O quê?!
Realizei o sonho de ver o mundo nas mãos de um humano totalmente puro, não tenho mais nada a fazer aqui. Minha missão foi efetuada.
Adeus…
Suélen Camargo
(SoweluS)
(texto escrito em meados do mês 08 de 2009)
(Ilustração feita em 03/01/2011)  

Texto e Ilustração, ambos de Autoria de Suélen Camargo (SoweluS)

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Uma resposta to “A Proposta, conto escrito por Suélen Camargo”

  1. Bernard Villodre abril 14, 2011 às 4:46 pm #

    gostaria d propor parceria
    http://horrormoviesbj.blogspot.com/
    abraço

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